quinta-feira, 17 de maio de 2012

QUÉTI


Quando nós somos alunos do ensino primário, fundamental e até médio, somos tão ineptos ao ponto de pensar que temos autoridade suficiente para dizer que tal disciplina ministrada em sala de aula nunca vai servir para a vida futura. Balela juvenil. Desde que entrei em um programa de mestrado me arrependo com veemência cada uma dessas palavras tolas que pronunciei. Principalmente à respeito da velha e boa matemática, com todos seus gráficos e cálculos que lido hoje, como era bom ter me dedicado um pouco mais a tal disciplina. Enfim...

Hoje, tive uma grande nostalgia ao ler mais um corriqueiro artigo em inglês. A duras penas, estou lendo e entendendo alguma coisa, outras deixando passar desentendidas, quando de repente surge a palavra “Cat”. O assunto tratava de gatos descerebrados, mas o que realmente me fez pasmar e parar foi a memória que imediatamente veio em minha mente. Exatamente o dia em que eu aprendi tal palavra.

Se minha boa memória não falha, o ano era 1995, primeira série do ensino primário. Aula de inglês. A professora chega e comunica que teremos a inovadora aula de inglês. Eu na minha inocência de criança pensei logo o que sempre pensava quando pressentia o início de assuntos “difíceis”, como separação de sílaba e ter que aprender que o “M” vinha sempre antes do “P” e do “B”. “Nunca vou aprender isso”, matutava em um desapontamento covarde - Ainda guardo um pouco dessa insegurança que me faz tartamudear até hoje - Então, quando abro o livro na página determinada, aparecem dois animais sorridentes, um gato e um cachorro, e em cima escrito seus respectivos nomes traduzidos para a língua inglesa: “cat” e “dog”. Bastou, não precisava a professora falar mais nada, me bateu uma felicidade inenarrável, que depois disso só lembro-me de chegar a casa e correr para contar ao meu pai.

- Pai, sabe como é gato em inglês?

E meu pai numa resposta desinteressada:
- Hum...

- É “quéti”.

Pronto, nunca mais me esqueci de tal aprendizado que julgava até poucas horas atrás, desnecessário e irrelevante. Mas não, como já é sabido, nenhum conhecimento é inválido. E hoje, alguns anos mais tarde, senti a importância de aprender tal palavra, na inocência de minha série primária e na premência de minha carreira profissional.

Moisés CouTo