Nunca concordei com esse
comportamento, por parte de nós brasileiros, de ofender os portugueses de “burros”.
Sinceramente, nunca os vi fazendo asneiras. No máximo, as mesmas estupidezes
que todo país compartilha. Um período de crise, um chefe de estado mal eleito,
um escândalo de repercussão mundial, enfim. Já ouvi anedotas surreais a
respeito dos portugueses, de atitudes ignorantes inaceitáveis que nem o mais
palerma da terra poderia cometer. Eu na pele deles ficaria bem tempestuoso. Mas,
pensado bem, enquanto chamamo-los de “burros” eles nem se incomodam, imagino
que matutam para si a história de quinhentos anos atrás que, na verdade, fazem deles os legítimos zombadores
e de nós os verdadeiros zombados.
O país deles invadiu o nosso,
mudou toda a nossa cultura e crença da época, fez toda população trabalhar para
encher os bolsos de seus mandatários e ainda tiveram conjunção carnal com nossas
esposas na nossa frente, que distraídos, nem reclamávamos, pelo contrário,
ficávamos pacatos admirando-nos de fronte a um espelho manchado de imundície europeia
que contaminou toda a nossa pureza indígena. Chamá-los de "burro" me parece uma
forma de atingir de alguma forma quem nos fez mal, porém sem sucesso, assim
como crianças birrentas que tentam atingir o chacoteador mais velho, ou
mulheres abandonadas que passa em frente ao antigo caso acompanhada de um amigo
gay tentando fazer ciúme a quem não
te ama mais - impossível.
Deixemos os xingamentos de “burros”
de lado, vamos baixar nossas cabeças e fingir que não conhecemos essa gente
cruel e selvagem que estuprou nossas tataratataratataratataravós.
Moisés CouTo
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